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Quem me matou

Eu olho no espelho e eu tô morta
Atravessei a ponte e achei que eu era diferente.. Mas a ponte. A ponte me matou.

Da ponte para cá o mundo é diferente.

E eu cheguei do outro lado, morta.
Eles gritaram
Corre preta
Corre
Trabalha, batalha e se mata.
Eu morri todas as vezes que não falei. Falhei.
E hoje eu morro tentando me achar. Me acertar. Me aceitar

23 anos e eu calada.
É isso que eles querem.
23 anos sem falar e estou há 19 dias tentando me achar. Falar

Roda da vida, roda na vida, morta na vida.
Se reencontra preta, o sagrado está em olhar a te encontrar.

Da ponte para cá é para dentro que tem que olhar. No seu olhar. O seu coração está a se olhar. Orar.

A morte é recomeço.

Por Palu Macedo

Eu sou Paloma, 26 anos, mulher negra, periférica, escritora, corajosa e viva! "O que a gente escreve toca e sente em escritas ficam imortais” Palu Macedo

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