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OS PRETOS DO BBB NÃO SÃO IGUAIS

Quando comecei a entrar nos assuntos de diversidade e militância, percebi que por mais que um preto tenha a mesma pretensão que a minha, às vezes, pensamos e agimos de formas diferentes pelo mesmo resultado. 

Foi ai que eu percebi que os negros não são todos iguais, só porque temos as mesmas lutas e as mesmas dores e isso não é algo negativo, só é uma observação que a maioria das pessoas acabam não fazendo. 

Quando dizem que eu me pareço com a Iza, com a Ludmila ou com a Tais Araújo e vejo que meus traços não são nada parecidos com os delas, eu percebo um exemplo muito bom que pode ser utilizado. Eles nos colocam em um mesmo campo, em uma mesma caixa, se eu disser que sou uma mulher negra militante, com certeza me colocarão em uma caixa bem generalizada do que a sociedade impôs sobre mulheres negras militantes. Quantas vezes já ouvi: você é feminista? Então você não raspa as axilas? 

A generalização é ruim para todo e qualquer movimento e é por esse motivo que ele vem causando tanto impacto no BBB. Porque um grupo de pessoas pretas nem sempre tem a mesma intenção e se tiver, cada uma utiliza caminhos diferentes pra isso. Uns mais extremos que chegam a ser chatos, outros que simplesmente entendem o espaço que estão e pensam no ambiente antes de se posicionar, os que não se posicionam e até levantam uma bandeira errada. 

Essa pluralidade diz sobre a individualidade que muitas vezes querem apagar, aliás, os pretos por terem as mesmas lutas, não podem ser únicos? 

Temos sim as nossas individualidades, temos nossos gostos, nossas regiões, nossos sotaques, nossos estilos musicais. Nem todo preto gosta de Nike, uns são viciados em animes. Nem todo negro ama basquete, alguns estão por aí fazendo grandezas na F1. 

Não é que o nosso movimento é confuso, é que vocês nos animalizam ao ponto de achar que somos bandos e que somos todos cópias do que vocês lêem por aí. 

Só parem de nos colocar em uma caixa, cada um luta como dá, como quer, como consegue. Temos pessoas boas entre nós, temos pessoas ruins entre nós, mas isso é só sobre a gente e não sobre uma luta que é maior do que a nossa individualidade. Aliás, já faz um bom tempo que estamos aqui gritando pros quatro cantos do mundo que somos muito mais do que só pessoas que sabem falar sobre racismo, então o exercício é de vocês, nos enxergue além disso porque nós somos muito, mas muito mais do que vocês tentam nos moldar. 

Sté Souza, tem focado trabalhar com conteúdos que sejam para mulheres negras, com blogs, projetos de empreendedorismo e muito conteúdo nas redes sociais.

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