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Isso não é só sobre o Lucas!

“Eu te vejo, mas você não se mostra
Eu te vejo, enquanto você me mata
Eu te vejo, enquanto você me sufoca
Eu te vejo, enquanto você nos separa

Porque só os meus olhos e a minha pele te vê? Porque enquanto você me enforca, ninguém te vê. Você está até entre os meus, enfincado, até aonde deveria ser só amor. Até aonde os nossos intelectuais estão. Eu te vejo, nas entranhas da morte que você carrega nas mãos.

Eles inventaram, a gente reproduz. Como parar?”

PALU Macedo
dez/2020

Escrevi esse poema antes mesmo de conhecer Lucas, antes mesmo de tudo isso acontecer. Mas senti algo parecido em algum momento da minha vida que me deu inspiração para essa anotação e de publicar aqui. Mesmo a gente dizendo que não vai criar expectativas que pretos são diferentes, dói saber, conviver e ser violentado por quem a gente admira, por quem minimamente estuda ou fala sobre as pautas raciais. Nosso cristal se quebra ao perceber que do outro lado também existe um ser humano que comete erros e que pode errar com você. Assim como doeu em mim, doeu no Lucas. Ser violentado por um igual, não deveria, mas parece que dói mais, de alguma maneira e também por vieses inconscientes tendemos a cobrar pessoas pretas ainda mais, se elas se posicionam em relação à essas causas.

Afinal, quem não fica com o coração quentinho quando encontra seus semelhantes em coletivos ou lugares que participamos? Seja ele uma casa de axé, um bloco de carnaval, uma rede de apoio ou qualquer movimento que traga a ideia de aquilombamento e a representação do que é estar entre os seus. Imagina em um BBB com vários pretos?! No fim, queremos nos sentir representado, queremos afeto e queremos humanidade.

Quero trazer uma reflexão porque a academia pode nos afastar das nossas origens, até mesmo de quem deveríamos proteger, ou de quem falamos lutar. Como estamos na mesma estrutura carregamos vieses inconscientes e o ato de repensar, rever as nossas atitudes e começar a mudança é por nós mesmos. Você já parou para pensar se você já foi ou é assim? O que você faz para diminuir que isso aconteça? Como faz para se conectar com outras pessoas pretas? Têm a mesma paciência com as pessoas não pretas?

Eu sou Paloma, 26 anos, mulher negra, periférica, escritora, corajosa e viva! "O que a gente escreve toca e sente em escritas ficam imortais” Palu Macedo

2 Comments

  • Anderson Rosa

    Talvez a decepção e o cancelamento nos leve pra tão longe, que não consigamos mais voltar para o lugar com maior necessidade: dentro de nós, onde podemos sempre melhorar.
    Obrigado pelo texto Palu ♥

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