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Como você se vê?

No meio de tantas lutas, tantas tristezas e alegrias diárias, me perguntei se eu tenho conseguido refletir e me resgatar diariamente desse caos todo.

E para além de buscar uma avaliação externa ou aceitação do outro: Como você tem se visto? Que mulher você tem se tornado?
A primeira vez que me fizeram essa pergunta e eu não soube responder, pelo viés estético também de não conseguir se elogiar, por não acreditar na beleza que eu carregava, mas também profissionalmente com as entregas que eu realizava.

Como você se vê?
Qual é a mulher que você desenha quando pensa em você?
Tem se sentido orgulhosa da trajetória que tem construído, das suas conquistas diárias?
Tem conseguido comemorar as suas conquistas? Mesmo as pequenas? Tem dado tempo de refletir sobre elas? Tem notado e anotado as suas qualidades?
As vezes a gente entra em um poço de noticiais ruins e acaba perdendo quem realmente importa, a gente mesmo. Sem romantizar o momento que estamos e sem ignorar as violências diárias que vemos e vivemos. Afinal, respeitar o luto e as nossas emoções também é uma conquista. Principalmente para as Guerreiras que carregam muitas dores, as vezes do outro, nas costas e não tem tempo de sentir as próprias.

Como você está hoje? Conseguiu ter tempo de pensar nisso?

Quando me perguntaram pela segunda vez eu respondi o seguinte:

“Bom, se essa pergunta tivesse sido há um tempo atrás eu não saberia responder. Eu ainda não sei. Mas hoje eu acredito mais nelas. Meu eu de hoje consegue me ver como uma mulher forte, profissional, com inteligência emocional ou não hahaha as vezes eu acho que sim e as vezes não. Eu sou dedicada, esforçada, objetiva, independente, eu sei sobre vários assuntos e sei conversar sobre qualquer coisa.. (quase tudo). Eu passaria horas conversando comigo se eu fosse outra pessoa. Eu sentaria num bar comigo e ficaria conversando por horas. Se eu decido algo, eu decido. Eu sou comunicativa, eu gosto do meu lado de perceber as pessoas ao meu redor. Eu sou intuitiva…”

As reticências servem para eu lembrar que eu sou contínua, mutável, cíclica e não preciso me apegar a Paloma do passado, ser livre o suficiente dentro de mim para ser múltipla, essa é minha resposta hoje. E a sua?

Estou tentado equilibrar e lembrar de me cuidar, de me ouvir e de não me perder nas vivências externas que aparecem. Pelas lutas que somos em cada passo que damos ou pelo equilíbrio entre os passados-presentes-ausentes. Por sambar no inteiro ou no vazio que a vida pode ser.

Espero que você leitora esteja bem, na medida do possível.

Eu sou Paloma, 26 anos, mulher negra, periférica, escritora, corajosa e viva! "O que a gente escreve toca e sente em escritas ficam imortais” Palu Macedo

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