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4 conselhos para quem está entendendo o que é racismo e seus efeitos agora!

Há 6 anos atrás eu tive o meu primeiro contato com os temas que hoje tomam as redes sociais: Racismo, machismo, feminismo negro, intolerância religiosa… mulherismo africana e entre outros assuntos que ainda são urgentes e que fizeram parte do meu despertar para consciência racial. Eu lembro que me afoguei em artigos até porque foi um professor da faculdade que me apresentou esses temas e foi na aula dele que eu comecei a me interessar pelo tema. Não foi atoa que eu fiz uma iniciação que falava sobre as posições de ocupação das mulheres negras no mercado de trabalho e que foi publicada, tá? (Acadêmica ela!!!!)

Foi muito intenso processar tantas informações que me açoitavam diariamente, a vida não dá um tempo para você entender porque elas estão acontecendo enquanto eu escrevo esse texto! Trazer essa consciência é delicado, estamos falando de dores ancestrais e muita energia para conseguir dar conta, não é mesmo? Porque no fim eu só estava lendo ou dando nome para as várias violências que eu já vivia, o mundo já tinha me apresentado o racismo quando eu nasci.

E hoje eu parei para pensar em quais conselhos eu daria para alguém que está entendendo esses assuntos agora, por isso, listei 4 conselhos que eu acho que faz a diferença nesse inicio:

1. A fase do Afrosurto
Aza Njeri postou no inicio do mês explicando como a gente pode canalizar essa raiva/ódio/dor/mágoa que aparecem quando você compreende o impacto disso na sua vida, por favor, assiste e leia o artigo dela, isso pode te ajudar a administrar melhor essa energia.
https://www.youtube.com/watch?v=-VpktC5thOw

Quem é Aza? Seu nome é Viviane Moraes, é doutora em Literaturas Africanas, pós-doutora em Filosofia Africana, pesquisadora de África e Afrodiáspora no que tange cultura, história, literatura, filosofia, teatro, artes e mulherismo africana

2. Fale com um terapeuta
O racismo acessa dores profundas e muitas vezes elas precisam ser curadas e entendidas de maneira pontual e leve, um profissional pode ser um apoio para encarar tudo isso, lembrando que não basta ser um psico preto, mas um que entenda sobre relações étnico raciais e o impacto que pode causar na nossa saúde mental

3. Rede de Apoio
Quando eu comecei a entender esses assuntos eu passei por um momento de não me sentir mais parte do grupo de amigos que eu tinha, justamente por ter tido essa virada de chave e foi ai que eu comecei a buscar lugares pretos, coletivos pretos, cultura preta, tudo o que me remetia a algo saudável envolvendo essa parte mais social, foi ai que eu encontrei o Bloco Afro de Carnaval Ilú obá de mim, que foi um afago nesse processo.

4. Empatia com você e com a sua família
Se olhe com carinho dentro de processo e não se culpe, as coisas acontecem no tempo delas, mas não se anule, se te machuca faça algo para melhorar. Sua família pode ser racista, machista, homofóbica… eles estão aqui antes da gente e sobreviveram nessa terra sendo desse jeito, com as próprias estratégias, tente ir com mais calma e compreenda as vivências deles antes de impor qualquer coisa que você julgue melhor, vai com calma. Eles também possuem o próprio processo de lidar com as dores que esses assuntos podem trazer.

Eu queria muito ter ouvido isso no começo dessa trajetória, o que mais você complementaria?

E para você que está entendendo o que é racismo agora, espero muito que sua experiência seja leve e repleta de autoconhecimento!

Eu sou Paloma, 26 anos, mulher negra, periférica, escritora, corajosa e viva! "O que a gente escreve toca e sente em escritas ficam imortais” Palu Macedo

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