Blog

Autoestima preta na pandemia

Depois da nossa conversa sobre autoestima na pandemia, acabei ficando extremamente introspectiva sobre o assunto e olha que eu sempre falo sobre isso, mas ler a vivência de vocês me fez pensar em outras coisas e quero dividir. 

Quando uma mulher negra me diz que não se sente bonita, eu compreendo totalmente que os anos exaltando a beleza negra são pouquíssimos e ainda existem várias problemáticas nessa “forma de elogio” que anda nascendo por aí.

Tirando o assunto do coletivo e indo para o individual, eu queria pensar como a autoestima vai muito além da estética, várias mulheres bonitas não sentem a sua beleza. Nós não somos superficiais e para nos sentirmos bonitas, precisamos de algo a mais do que nossos traços. O que, de fato, estamos falando quando não nos sentimos bonitas?

Que nossa autoestima está ligada ao modo em como o mundo nos trata? 

Bom, quando eu descobri a forma como o mundo e qualquer pessoa ao meu redor me tratava e que eu comecei a comparar aquilo com o que eu mereço, confesso, minha vida ficou mais difícil. 

Uma mulher negra, seja ela o quão bonita for, estará sempre sofrendo depreciação da sociedade e é isso que de fato mexe com a mulher que vemos no espelho. 

A questão toda é que pra mudar isso, nós temos que enfrentar aquela imagem do espelho, a imagem que colocaram na nossa mente, a imagem que os outros criaram e por aí vai, e nenhuma dessas imagens são positivas, é por isso que eu tenho criado uma ‘’ bolha necessária’’ na minha mente, cheia de referências de mulheres negras  bem sucedidas e felizes nos espaços em que ocupam. Ninguém traz isso pra gente. 

Na parte de aceitar  somente o que eu mereço, acabo afastando muita gente que acha que o pouco que tem para me dar é o suficiente, apenas por eu ser uma mulher preta. 

Eu não aceito ser segredo, não aceito ser sexualizada, não aceito não estar na perspectiva de alguém sério, não aceito migalhas e na maioria das vezes vou ficar sozinha? Vou. 

Mas a cada não dado, me foi acrescentado uma dose de amor próprio, a cada percepção de tratativa inferior ao que eu mereço, fui amadurecendo. É um sacrifício que fiz, mas desde que comecei posso te garantir: Eu me sinto mais bonita quase todos os dias quando acordo, por ser linda? Não, por reconhecer o meu valor, o valor que ninguém no mundo conseguiu me mostrar nem se quisesse. 

Hoje sou eu, por mim e para mim, depois disso não há mais comparações, eu sei o meu valor e isso superou a forma como eu me vejo, eu encontrei a beleza que há em mim. 

Sté Souza, tem focado trabalhar com conteúdos que sejam para mulheres negras, com blogs, projetos de empreendedorismo e muito conteúdo nas redes sociais.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *