Eu sou Paloma, 26 anos, mulher negra, periférica, escritora, corajosa e viva! "O que a gente escreve toca e sente em escritas ficam imortais” Palu Macedo

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    Um dia de cada vez

    Para respirarPara lerNão lerViverTrabalharSobreviverPegar os cacos de volta E continuar amanhã Desabafar hoje DesaguarCorrenteza hojeCorre! O mundo gira enquanto lutoCiclo no luto – Nega, aceita, deprime, sente raiva, aceita…Um dia de cada vez,Um dia de cada de luta,Um dia de cada perda,Um dia de cada ganhoUm dia oxigênioRespiroE inspira para sempre Parece tudo contra o tempo ou parece tudo ao mesmo tempo? Comemora as pequenas conquistas do diaLevanta, recolhe tudo, enfia na mala e segue…Ser vida é ser uma eterna viajante, estamos só de passagem!Cata o que dá, faz como deu, mas vive.Para!Segue em frente, recolhe e aprende! Esse é um poema-respiro-lembrete que fiz para esses últimos tempos difíceis e…

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    Quantas transições cabem em um cabelo afro?

    Esse cabelo que diz muito sobre identidade, troca, sobrevivência, amor próprio, autonomia e liberdade. Quantas fases, cachos, crespos, tipos, tradições e traduções de nós cabem dentro dele?Quantos espelhos eu olhei? Quantos olhares diferentes eu tive sobre ele, seja meu ou do outro? Quantas de mim coube nesse cabelo todo? A transição que vem de dentro para fora é um processo diário, eu tentei pensar em quantas liberdades e histórias que meu cabelo veio contando junto comigo esse tempo todo, até me perguntei se a transição tem fim, será que tem? Será que é só deixar o crespo crescer e fim, acabou a transição? Acho que no sentido literal de como…

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    4 conselhos para quem está entendendo o que é racismo e seus efeitos agora!

    Há 6 anos atrás eu tive o meu primeiro contato com os temas que hoje tomam as redes sociais: Racismo, machismo, feminismo negro, intolerância religiosa… mulherismo africana e entre outros assuntos que ainda são urgentes e que fizeram parte do meu despertar para consciência racial. Eu lembro que me afoguei em artigos até porque foi um professor da faculdade que me apresentou esses temas e foi na aula dele que eu comecei a me interessar pelo tema. Não foi atoa que eu fiz uma iniciação que falava sobre as posições de ocupação das mulheres negras no mercado de trabalho e que foi publicada, tá? (Acadêmica ela!!!!) Foi muito intenso processar…

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    Como você se vê?

    No meio de tantas lutas, tantas tristezas e alegrias diárias, me perguntei se eu tenho conseguido refletir e me resgatar diariamente desse caos todo. E para além de buscar uma avaliação externa ou aceitação do outro: Como você tem se visto? Que mulher você tem se tornado?A primeira vez que me fizeram essa pergunta e eu não soube responder, pelo viés estético também de não conseguir se elogiar, por não acreditar na beleza que eu carregava, mas também profissionalmente com as entregas que eu realizava. Como você se vê?Qual é a mulher que você desenha quando pensa em você?Tem se sentido orgulhosa da trajetória que tem construído, das suas conquistas…

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    Ancestralidade

    Você já ouviu a frase “Saúdem os seus ancestrais”?! Eu já. E quando eu escutava eu levava muito para um caminho distante do presente, do não conhecimento ou do apagamento, porque foi isso que aconteceu com a gente né? Sequestraram os nossos ancestrais, apagaram seu nome, sua cultura e isso vem transcendendo por gerações de diversas formas. E é comum famílias negras saberem histórias somente das 3 últimas gerações, por isso, essa ideia de ancestralidade, não era palpável na minha cabeça. Há alguns meses eu procurei entender um pouco melhor o que é essa ancestralidade que as pessoas falam tanto e em um dos conteúdos que eu assisti falavam exatamente…

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    Isso não é só sobre o Lucas!

    “Eu te vejo, mas você não se mostraEu te vejo, enquanto você me mataEu te vejo, enquanto você me sufocaEu te vejo, enquanto você nos separa Porque só os meus olhos e a minha pele te vê? Porque enquanto você me enforca, ninguém te vê. Você está até entre os meus, enfincado, até aonde deveria ser só amor. Até aonde os nossos intelectuais estão. Eu te vejo, nas entranhas da morte que você carrega nas mãos. Eles inventaram, a gente reproduz. Como parar?” PALU Macedodez/2020 Escrevi esse poema antes mesmo de conhecer Lucas, antes mesmo de tudo isso acontecer. Mas senti algo parecido em algum momento da minha vida que…

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    Atire a primeira ajuda

    Como lidar quando a gente se dedica muito pro mundo e pouco para gente mesmo? Eu escrevi essa nota no dia que eu entendi que eu não sabia pedir ajuda e como isso me sobrecarregava, por querer levar vários mundos em mim e como consequência, sem perceber, me descuidava do universo que eu sou. Eu tenho aprendido que tudo é troca, limites e prioridade. Em qual lugar você está nas suas escolhas, quem está presente nas suas trocas?

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    Como você tem se amado?

    “Esse ano eu reaprendi a sentir, parar e me ouvir. Aprendi a falar. A falar sobre mim, aprendi a sorrir por mim e comigo. Foram tantas pressas que eu não tinha ideia do que eu sou capaz de alcançar. Fazer o caminho de volta é retomar a história mais forte e potente com o sorriso mais largo que eu poderia sorrir. Completa. Vendo sentido ao que sempre esteve comigo, voltar para ver como ficou também é um retorno feliz. E é parte da cura” Por Palu Macedo em algum dia de 2019

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    Auto-lembrete

    Auto-lembrete "Que eu não me perca nas multidões de dentro e de fora de mim Que eu lembre de dançar, tocar e cantar nos carnavais de dentro e fora de mim Que eu me lembre de sentir Que eu me lembre de me ouvir Que eu lembre de respirar, de olhar para o presente e lembre de seguir em frente. Enfrente. Que eu lembre de existir em mim Veja o quanto você é linda, estratégica e doce Para que eu me lembre de ser gentil comigo" Eu escrevi esse poema no inicio de 2020 porque uma das minhas metas desse ano era de não me esquecer no meio dessa loucura…

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    Quem me matou

    Eu olho no espelho e eu tô mortaAtravessei a ponte e achei que eu era diferente.. Mas a ponte. A ponte me matou. Da ponte para cá o mundo é diferente. E eu cheguei do outro lado, morta.Eles gritaramCorre pretaCorreTrabalha, batalha e se mata.Eu morri todas as vezes que não falei. Falhei.E hoje eu morro tentando me achar. Me acertar. Me aceitar 23 anos e eu calada.É isso que eles querem.23 anos sem falar e estou há 19 dias tentando me achar. Falar Roda da vida, roda na vida, morta na vida.Se reencontra preta, o sagrado está em olhar a te encontrar. Da ponte para cá é para dentro que…